Guerra no Iraque :  Correio da Manhã The fastest message board... ever.
Washington e Londres lideram a invasão militar de um país soberano com o objectivo de destituir o seu presidente. O CM On-line abre este espaço de debate, para que os leitores possam aqui expressar opinião sobre a primeira grande guerra do novo Milénio. 
FILPO
Enviada por: Nelsonfm ()
Data: 08 de Abril de 2003 às 05:50

FILPO

A “FILPO”, Força Internacional Libertação Povos Oprimidos, começou a mostrar sua verdadeira natureza bélica e deu um presente excepcional aos jornalistas internacionais que se encontravam em Bagdad, curiosamente no “Dia Internacional do Periodista”.

Há-de presumir-se que um “banho de sangue” está por vir nessa tresloucada invasão de “libertação” dos poços de petróleo, gás natural e urânio - os quais serão entregues à tutela dos EUA -, cujas imensas reservas ainda inexploradas, certamente encherão os cofres de empresas americanas (tenho dúvidas se os demais países da FILPO participarão do butim) e cobrirão todos os custos bélicos dessa violenta agressão à ordem e legalidade internacionais. Ao povo iraquiano será permitido participar como “assessores” em escalões bem inferiores do “Governo de Transição”.

Com a divisão do seu território em três áreas distintas (dividir para melhor controlar), os iraquianos devem estar felizes da vida com o seu histórico país governado por militares e funcionários do intervencionista vencedor deste crime internacional. Nada deverá preocupá-los: suas milenares edificações serão reconstruídas uma a uma, as inúmeras fotos do Saddam Hussein deverão ser substituídas por listras e estrelas, sua moeda será outra, (quem sabe de cor verde), a rotina de suas vidas será alterada e, provavelmente, a exemplo do Japão, não precisarão mais disponibilizar recursos para constituir uma força de defesa nacional já que os “mercenários” da FILPO deverão fixar residência no país (talvez até se tornem mulçumanos) e cuidar de sua proteção. É provável até que seus mortos sejam ressuscitados.

Esta é a nova ordem que se nos apresenta. Com o colapso da União Soviética como contra ponto da expansão bélica dos EUA este se viu, de repente, içado a condição de única potência militar mundial e, o que é pior, sem nenhum combatente ameaçador à sua frente. Como resolver, então, o desenvolvimento de novas armas de guerra e viabilizar sua demanda? Atacar os “Rogue States” (Estados Delinqüentes) é óbvio. Nações que colocadas à margem do sistema de dominação norte-americano e que representam, segundo sua ótica, sérias ameaças à ordem mundial. A lista de tais estados inclui Cuba, Irã, Líbia, Síria, Sudão, Iraque e Coréia do Norte, com especial atenção para estes dois últimos. Pouco importa a desproporção entre o poderio bélico dos EUA e estes estados: é preciso destruí-los. É por isto que ainda haveremos muito de trocar nossas impressões, pois muitos “fóruns” e muitas “guerras de libertação” ainda estão por vir.

Condolezza Rici, uma das principais ideólogas dessa doutrina, afirmava em seus tratados, que “estes estados precisam ser obliterados” e a chegada de Bush e seus capangas ao poder viria materializar estes projetos. A escolha do Iraque se deu por sua insustentável posição no contexto internacional: vinha de uma agressão ao Kwait, sofria um embargo já há doze anos, sua defesa estava comprometida, o moral ante o seu povo deixava a desejar em face da impossibilidade de vencer o bloqueio imposto pela ONU. Quando começou a deslocar tropas para o Golfo Pérsico, aliada a uma profunda pressão diplomática, estava claro que a sorte daquele povo estava selada. A invasão era latente e se daria fosse qual fosse os resultados das negociações e inspeções em busca de armas químicas.

Fico pasmo quando alguns membros desse fórum relutam a admitir que estamos diante de um ato de ilegalidade e uma violenta agressão à estabilidade internacional. Como pode não se admitir que dias negros estão passíveis de acontecer a partir de uma tresloucada aventura como essa? Imaginam que vai ser fácil impor ao povo iraquiano valores ocidentais que até mesmo a muito de nós tem caráter violento? Que dizer das conspirações, quedas de governos legitimamente eleitos, imposição de tratados comerciais desfavoráveis e cerceamento ao desenvolvimento de países emergentes?

A nova cruzada levada a cabo pelo imperialismo anglo x norte-americano e sua “Força Internacional Libertação Povos Oprimidos” deve ser, portanto, interpretada no marco de sua renovada estratégia militar e do crescimento das despesas militares nos últimos anos destinadas a viabilizá-la. Esta não é uma guerra contra pequenos núcleos fundamentalistas, e sim uma ação imperialista para passivizar o mundo e expandir seu controle político e econômico sobre ele. Ou, parafraseando o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, uma guerra para “adequar o ambiente” e garantir a “vitalidade e a produtividade da economia global” em um contexto internacional marcado pela crise econômica e política.

“Se Osama bin Laden não existisse seria necessário inventá-lo”, afirmou, poucos dias depois do atentado George Monbiot, no jornal The Guardian. De fato, os atentados às torres do World Trade Center se transformaram no pretexto necessário para uma nova ofensiva econômica e política-militar norte-americana, uma resposta capitalista à crise do capitalismo. Daí a necessidade de condenarmos não somente a política externa norte-americana, mas os ataques terroristas que sacrificaram milhares de vidas de trabalhadores, unificaram as forças do imperialismo e colocaram na defensiva os movimentos antiglobalização.

Espero que os meus amigos debatedores esfriem os seus ânimos, raciocinem e optem por não serem co-partidários de um crime contra a Organização Internacional e a Auto Determinação dos Povos. Nada justifica a invasão que estamos vendo nesses dias. Não será a tirania de um ditador que irá abrir caminho para a destruição de um estado soberano. Se nos propusermos à solidariedade a atos dessa natureza, estamos colocando em perigo nossa própria independência e sobrevivência. É necessário pensarmos antes e nos debruçar sobre pesquisas para verificar o que realmente está por trás de ações bélicas para então manifestar o nosso apoio.

Esta guerra, diferentemente das invasões do Panamá e Granada, teve a televisão do outro lado do conflito enviando as imagens do horror que ela causa a inocentes civis que nada têm a ver com o propósito dos seus idealizadores. E esse propósito quer queiram ou não admitir muitos membros desse fórum (uma minoria, por sinal) está longe de ser somente a deposição de Saddam Hussein. Ninguém em sã consciência iria gastar bilhões de dólares de uma economia combalida e sôfrega, uma das maiores dívidas do mundo tanto do ponto de vista interno como externo para libertar ou ajudar quem quer que seja em qualquer parte do mundo. Houvesse esse desejo de ajudar a humanidade. A África e outros países do hemisfério estão aí mesmo a necessitar de recursos financeiros bem inferiores aos que se estão jogando fora nesta agressão.

Cordiais Saudações!




AssuntoVisitasEscrito porEnviada
FILPO775 Nelsonfm 2003/04/08 às 05:50
Re: FILPO 339 digiphoto 2003/04/08 às 07:34
Re: FILPO 262 Zabu 2003/04/09 às 02:33
Re: FILPO 358 digiphoto 2003/04/09 às 04:10


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