Guerra no Iraque :  Correio da Manhã The fastest message board... ever.
Washington e Londres lideram a invasão militar de um país soberano com o objectivo de destituir o seu presidente. O CM On-line abre este espaço de debate, para que os leitores possam aqui expressar opinião sobre a primeira grande guerra do novo Milénio. 
Última Intervenção
Enviada por: Nelsonfm ()
Data: 14 de Abril de 2003 às 07:55

Última Intervenção
Passada a fase mais violenta dessa agressão colonialista ao Iraque, é possível fazer um balanço dessa tresloucada, desumana e desnecessária intervenção. Para quem anunciava uma guerra limpa, indolor e com o mínimo de “efeitos colaterais” o que se viu foi um massacre de civis, os quais foram humilhados, violentados, decepados e mortos em números alarmantes, promovido inaceitavelmente por aqueles que se auto constituíram defensores dos valores do mundo moderno.
Para quem se baseou na existência e anunciou para todo o mundo, da posse de armas químicas e de destruição em massa pelo ditador Saddam Hussein, que pudesse corroborar o crime que estava preste a praticar, o saldo – até agora – é um fiasco anunciado. Ou Saddam não possuía esses recursos ameaçadores e perigosos, como já sugeriam os funcionários enviados pela ONU, os famosos inspetores, em suas missões, ou, se os possuía, foi incapaz de utilizá-los, situação que, do ponto de vista exclusivamente militar, dá no mesmo e não justifica o crime de intervenção cometido.
Podemos assegurar com toda convicção que estamos, nos dias de hoje, diante do fim de uma guerra perfeitamente dispensável, ainda que não possa ser considerada inteiramente inútil face a queda de Saddam Hussein – tirano de grande envergadura e crimes conhecidos - o que, por si só, não pressupõe o direito de ter o seu país invadido por uma potência estrangeira.
O povo iraquiano libertou-se de um regime que prendia, torturava, sufocava o desenvolvimento e deixara a população num beco sem saída. A fase inicial desse crime intervencionista mostrou uma população capaz de gestos de coragem e bravura e vontade de lutar. À medida que a superioridade do invasor se mostrava incontestável e de difícil confrontação, a resistência cessou e cada um tratou de salvar a própria pele. O povo, quando amedrontado, sufocado e sem meios de enfrentamento, sempre se deixou embevecer pelo poder vitorioso do invasor e recebeu-o com flores, beijos, abraços e gestos de carinho. É só percorrer a história e verificar a veracidade dessa afirmativa. Há uma necessidade vital para essas ações: “ou me mostro seu amigo e passo a cooperar ou ele me mata” é dessa forma que o oprimido enxerga o vitorioso.
Agora resta saber o que virá depois. Após proclamações humanitárias partidas de Washington e Londres, tão veementes que se poderia crer que o conflito teve origem num campeonato de boas intenções, os EUA não fazem questão de disfarçar que estão prestes a instalar e por em prática a constituição de um protetorado aliado neste país e ali se manter com suas famosas bases militares, como as que espalhou em outras partes do mundo, o que lhe permitirá um consistente controle sobre os demais países da região e uma ameaça permanente àquele que tentasse, de alguma forma, se opor a sua tão conhecida política imperialista.
Nas atuais circunstâncias, a possibilidade da sociedade iraquiana colocar de pé um regime civil próprio, ocupado e preocupado com os interesses nacionais e em condições de preservar alguma autonomia e buscar, do ponto de vista econômico, trabalhar no sentido de recuperar parte de todos esses anos perdidos e que, de certa forma, retraíram o desenvolvimento do país, é quase nula.
Numa inequívoca demonstração de desprezo pelos valores constituídos por uma sociedade milenar, de costumes, religiões e hábitos bastante diferenciados dos já absorvidos e incorporados ao cotidiano pelos países do ocidente, pretende os EUA entregar a direção central do país – o qual será dividido em três regiões – a uma ex-embaixadora, portanto, uma mulher que, como todos nós sabemos (é preciso deixar bem claro que não estou exercendo nenhuma crítica nem colocando em dúvida a capacidade de gestão das mulheres), é uma figura ainda sem espaço político naquela região. É o mesmo que salpicar porretadas com sapato feminino e de salto alto, a cara de todos os árabes iraquianos.

Estou me despedindo deste fórum e não mais me reportarei ao mesmo escrevendo sobre essa agressão EUA/RU x IRQ. Para mim é um capítulo vencido e os fatos que estão porvir demonstrarão que todos os que se opuseram a natureza dessa intervenção estão, salvo melhor juízo, cobertos de razão.

Pessoas sensatas e que se preocupam com os destinos dos semelhantes, dos países e do mundo jamais poderão, em tempo algum, postarem-se ao lado de falsos libertadores que dizimam milhares de inocentes em busca de riquezas e em defesa dos interesses comerciais de. Antes de partir para esta criminosa empreitada já se haviam firmado nos EUA contratos bilionários de reconstrução e exploração de petróleo entre empresas americanas e o governo daquele país. Toda essa lenga-lenga em manter a ONU afastada desse processo é para viabilizar a execução desses contratos e, conseqüentemente, a transferência dos recursos que os mesmos produzirão. O resto é tudo conversa fiada.

A guerra pressupõe crimes conta a humanidade e, o pior de tudo, crimes legalizados. O Japão teve duas cidades arrazadas e nunca ninguém pagou por isto. O Iraque está tendo sua história milenar destruída por saques e incêndios e quem perde é toda a humanidade que se vê, de uma hora para outra, diante da perspectiva do desaparecimento de importantes registros de sua evolução.

Um império que se propõe defender as liberdades universais não pode permitir que Israel possua armas de destruição em massa, tanto químicas como biológicas, que possua bomba atômica e desenvolva uma política de intimidação, invadindo, derrubando casas, matando, oprimindo, humilhando e impondo o terror aos seus vizinhos. A campanha de 1967 que levou os judeus a invadir e bombardear diversas nações árabes na época pautava-se também na doutrina de “Ataque Preventivo” ou seja, vou te matar antes que você me mate. Se todos nos dispusermos a seguir essa famigerada “Doutrina” estamos fritos. Não haverá mais paz entre seres humanos nem entre países.

Procurei, ao contribuir com minhas intervenções e responder as que foram aqui colocadas, mostrar que estávamos diante de uma agressão a Conjuntura Internacional predominante no momento. O nosso alheamento às circunstâncias que a ocasionava e o nosso alinhamento ao grave crime que estava por surgir colocaria em risco toda a humanidade. Nenhum país no mundo pode se imbuir de ações policialescas que o levem a invadir nações e determinar ali que políticas estas devem seguir. A tornar-se isto um hábito iremos viver permanentemente sofrendo guerras e intervenções.

Procurei convencer aos debatedores que se contrapunham ao meu raciocínio que não se tratava de defender uma ditadura sanguinária e doentia, mas sim a autodeterminação dos povos. Os dirigentes americanos são belicistas por natureza e é preciso que encontremos fórmulas de frear a desenvoltura com que empunham as armas. A sociedade americana é também refém desse perfil e sofre muito com ele.

São os americanos que mais assassinaram presidentes em toda a história republicana.

Movidos pela política expansionista dentro de suas fronteiras, foram os que mais dizimaram os nativos daquelas regiões - os índios.

Até bem pouco tempo atrás perseguiam e matavam os seus negros. Quem não lembra dos horrores cometidos pela Klu-Klux-Klan?
Foram os únicos que até hoje tiveram a coragem de dizimar milhares de pessoas de uma só vez. E eu diria que são loucos. Relatos da Segunda Guerra Mundial registram que os pilotos que jogaram bombas sobre Hiroshima e Nagasaki, após verem os cogumelos que a explosão provocou “rezaram e pediram a Deus, ainda dos seus aviões, que Este olhasse pelas vítimas”.
Têm uma natureza tão agressiva que vez por outra tomamos conhecimento de crianças que invadem escolas e matam seus colegas sem nenhum motivo aparente; E o que é pior: são condenadas por isto. É mais fácil prender e punir meninos de oito, dez ou doze anos que se debruçar em estudos que o levem a descobrir o que produz tanto ódio em seus corações e por que são tão odiados no resto do mundo.
Para finalizar eu gostaria de esclarecer aos alinhados com os “defensores das liberdades democráticas” que naquele país – EUA – as televisões foram induzidas a dar uma cobertura parcial desta guerra “cirúrgica” e a sociedade americana, refém dos falcões e suas próprias contradições, não viram nem sequer 10% (dez por cento) das atrocidade cometidas no Iraque, segundo estimativas da imprensa não comprometida e pendente dos favores do Washington naquele país.
Concluindo, gostaria de agradecer imensamente a direção do Correio da Manhã por esta valorosa iniciativa e pela colocação de nossas intervenções na WEB, o que produziu a aproximação dos contrários, coisa fabulosa de se ver nos dias de hoje e me colocar à disposição desse valoroso veículo para qualquer informação que venha a necessitar sobre o meu país e minha região. Sou jornalista e repórter fotográfico e terei imenso prazer em contribuir no que for necessário.
Aos meus pares durante essa inesquecível convivência bélica coloco o meu e-mail à disposição para qualquer comunicação que me queiram fazer ou discussão que desejem incrementar. Meu endereço eletrônico é afdecastro@msn.com e está aberto a qualquer participante ou leitor desse fórum. Aproveito o ensejo para agradecer de público as mensagens recebidas da Sra. Margarida Cruz e do Sr. Alfredo Louro, sempre solidários às minhas convicções.
Saudações a todos!



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